Bonecas da Moda – 2º Semestre
dezembro 2, 2010
Considerando que o século XIX foi um marco para as mulheres, por ter ocorrido importantes mudanças no vestuário e comportamento destas no período. Uma mudança muito significativa foi a incorporação de ítens da vestimenta masculina em seu guarda-roupas, as quais pesquisando melhor suas origens, descobri que boa parte é influenciada pela Inglaterra, com sua moda masculina que é referência mundial até hoje.
Na França as primeiras manifestações destas influências não foram bem vistas, denominando assim, que as mulheres que usavam trajes inspirados no terno masculino estavam vestidas a “l’anglaise”.
Nas criações aseguir desdobrei um pouco o significado deste termo, chegando a alguns conceitos que se encontram no arquivo em PDF em anexo:
LINK >>>> Bonecas da Moda – Thaís Polakiewicz
Expressionismo, Fauvismo e looks inspirados
setembro 14, 2010
Após preparado um seminário sobre Fauvismo e Expressionismo, trago aqui a “coleção de looks” inspiradas nestes movimentos criada pelo meu grupo.
Trouxemos, nos desenhos, alguns pontos importantes em relação ao movimento artísco, a começar pelas poses, mais grotescas e menos usuais, porém expressivas. Eu as desenhei a partir de um vídeo no YouTube que msotra a modelo posando.
As cores são um ponto bem forte também, fortes e bem definidas.
Algumas frases inspiradoras:
“Mistura de cores = tons sujos” (Paul Gauguin)
“Medite sobre um sentimento e encontre sua forma mais simples” (Paul Gauguin)
“Pintura = sensações condensadas”
“Dar profundidade sem sacrificas o brilho das cores” (Cézanne)
“O que importa não é a cópia exata nem o acúmulo de detalhes, mas o profundo sentimento do artista ante os objetos escolhidos” (Henry Matisse)
“Inexatidão anatômica não prejudica expressão do caráter íntimo e da verdade inerente à personalidade” (Henry Matisse)

FILE – sobre minha visita
setembro 1, 2010
Como resultado da visita feita ao FILE, passei por diferentes experiências e sensações muito interessantes, além de conhecer um pouco mais do que é possível produzir a partir do uso de linguagens eletrônicas.
Quando entro em uma exposição ou algo do tipo, em geral, o meu primeiro pensamento é, “por onde começo a ver, o que há para ver” e dependendo da ocasião esse pensamento é logo respondido ao me deparar com as obras, em seqüência e observá-las. Mas neste caso a sensação de dúvida continuou até o fim do percurso, uma vez que cada trabalho exigia uma diferente interação ou observação, sendo assim, necessário fazer uma sondagem, ir testando e descobrindo suas reações.
É muito curioso ver quão diversos os rumos que se pode tomar com o uso da tecnologia, inclusive quando voltados para as artes; mesmo não entendendo, e nem tentando entender os métodos, apreciei muito os resultados, tendo desde os mais emocionantes, até os divertidos.
Não tenho como falar de tudo o que gostei, mas tem alguns trabalhos de que me recordo melhos, por que foram mais marcantes. O principal foi o “Reler” que consistia em livros de madeira dispostos em uma prateleira comprida, dentro de uma sala escura coberta com carpete. Entrando na sala, após perguntar a um segurança se podia, pois lá não dava pra saber exatamente no que podia mexer ou não, já fui logo puxando um livro. Não sabia o que esperar ao abri-lo, tudo era surpresa, e tal que dentro dele havia um vidro, e por baixo fiações, placas e uma luz vermelha, logo após ser aberto, uma voz começou a contar a história que correspondia ao próprio. O que aconteceu foi uma mistura entre a tecnologia que fazia o livro ser ditado, e ao mesmo tempo o conforto da sala, o som envolvente ouvindo histórias que eu conhecia e que trazem diferentes lembranças à mente, como Macunaíma e Pequeno príncipe, cada uma remetendo a momentos vividos.
Claro que essa é uma experiência pessoal minha, mas o que gostei foi isso mesmo, cada uma que entrava e pegava um livro se surpreendia quando reconhecia o mesmo, e após alguns momentos todas as vozes de cada história se misturavam na sala, se atropelando.
Gostei muito também do “Tardigotchi” que mescla o lado biológico e o virtual da coisa. Foi impossível não lembrar do tamagochi, que eu tanto adorava quando era criança, ao me deparar com ele. O que gostei foi da complexidade que ele apresentou, ao assistir e ouvir o vídeo que explicava o seu funcionamento, o que me deixou muito curiosa, até por haver o organismo dentro da esfera que precisa ser alimentado de verdade. Isso me fez refletir um pouco sobre a relação entre as pessoas hoje, as redes sociais, os “amigos virtuais”, e como se contentam em ficar “falando sozinhas” em redes como o Twitter, por exemplo.
O “Death Death Death” também me chamou bastante a atenção, assumindo, para mim, um tom mais sarcástico e pessimista, mas que faz refletir sobre a efemeridade das coisas na vida e o modo como ele explicita isso lembrando que tudo acaba na morte.
O “Luzes Relacionais” exigia bastante interação dos próprios movimentos do corpo para gerar o movimento das cortinas de luz que se formavam em meio a poeira, era bem uma questão de experimentação, de ir se movendo e testando os resultados. Muito legal.

E para ir terminando, dois trabalhos que arrancaram umas risadas foram o “Virtual Ground”, que se tratava praticamente de um jogo, em que tínhamos de controlar a “bola” do qual dava para participar duas pessoas. O outro é um que não achei o nome, mas consistia em uma sala na qual devíamos pular juntas para nossa filmagem ser reproduzida repetidamente na parede. Acontece que demos pulos e mais pulos todas juntas e não deu certo, mas foi engraçado.
Cada trabalho exposto trouxe uma experiência diferente, gostei muito da exposição, me abriu os olhos para coisas que eu não conhecia e não fazia idéia que existiam.
Site do FILE: http://www.file.org.br/
Alguns desenhos
agosto 19, 2010
Organizando meu material do semestre passado, para abrir espaço para os novos trabalhos, resolvi fotografar e compartilhar esses desenhos aqui…
Vão desde exercícios de controle de linha, mais geométricos, até os looks que serviram como trabalho final. A maioria feito em grafite, mas também usei caneta hidrográfica ponta fina e esferográfica; espero que gostem!
Trabalhos de Final de Semestre: “Boneca da Moda”
junho 4, 2010
Aproveitando o clima final de semestre, e como havia dito que postaria aqui alguns dos meus trabalhos, aí vai.
Na disciplina de História da indumentária, desenvolvemos as chamadas “Bonecas da Moda”, ou seja, roupas modernas inspiradas em diferentes épocas da história. As roupas deveriam ser vestíveis na atualidade ou poderiam fazer o “tipo passarela” (as minhas, no caso).
Algumas fotos para ilustrar melhor:
O corpo da boneca que desenhei, e que serviu de base para fazer as roupas.
As roupas foram feitas em sulfite A3, recortadas e coladas em papel Paraná, para ficarem mais firmes:
Nessas roupas trouxe referências dos Séculos XVI , XVII e XVIII, a partir de imagens de pinturas e filmes.
Algumas, entre elas, a seguir:
A boneca vestida com os três Looks, respectivamente:
Para incrementar a representação das roupas, usei colagem de tecido em alguns detalhes:
“Alice no País das Maravilha” visto por diversos ângulos
maio 18, 2010
Impossível deixar de comentar a respeito do filme “Alice no País das Maravilhas”; fui assistir esse final de semana no IMAX, e achei lindo e muito envolvente. Tanto tentei me focar nos inúmeros detalhes do filme (fotografia, figurino, maquiagem, efeitos e legenda - por que não?!) que foi até difícil conseguir me prender a uns sem perder outros. É o tipo de filme que assistiria mais algumas vezes só para reparar em tudo.
Achei muito rico em vários sentidos. O elenco, é claro,
muito bom, Johnny Depp estava fabuloso em seu papel de chapeleiro, (para mim foi o personagem mais interessante do filme), e adorei a performance de Mia Wasikowska (Alice), linda, mas com um jeitinho de menina que que achei tudo a ver com a personagem.
Pude notar no filme referências de diversas áreas, que na minha visão, de estudante, exemplificou muitas coisas vistas até mesmo em aula.
Primeiramente, a respeito do figurino, traz um estilo da Inglaterra Vitoriana, com seus vestidos ajustados, a postura exigida das mulheres na época, como o uso do espartilho, a cobrança de se casar para ter uma vida digna, e toda a pressão exercida por uma sociedade conservadora.
Alice, por ter uma mente mais aberta como a de seu pai, encontra em seu outro mundo uma saída, um escape para fugir dos padrões nos quais ela não se encaixava.
Se eu for falar aqui, a respeito do figurino, de tudo o que me chamou a atenção, não acabaria nunca, então vou resumir no aspecto que achei mais importante: a atenção dada aos detalhes. Nota-se que cada peça que aparece no filme possui uma história, como o chapéu do chapeleiro maluco, que sobreviveu ao ataque da Rainha Vermelha, com suas marcas de queimado e objetos presos a ele. Assim como o vestido que Alice usa em parte do filme, o que é confeccionado para ela em alguns instantes pelo próprio chapeleiro; achei um momento de grande sensibilidade, porém sutil. Esses detalhes me agradaram muito.
Reparei também, no momento do “noivado”, que há um artista representando a situação em uma tela, o que me remete aos mecenas que contratavam os então artistas, e não mais artesãos, para os retratarem em telas.
Na questão histórica, me arrisco a relacionar a disputa entre as duas rainhas (Branca e Vermelha) com a Guerra das Rosas, ocorrida na Inglaterra, no séc. XV. Não tenho certeza se procede essa relação, mas acho que pode ter alguma referência, pois esta guerra se deu entre duas dinastias que lutavam pelo trono: a York (rosa branca) e Lancaster (rosa vermelha). Não sei ao certo quem venceu, considerando que foram cerca de trinta anos de batalhas esporádicas; mas é muita coincidência.
Acho que no final, a mensagem que o filme deixa é: acreditar nas coisas que consideramos impossíveis, ser um pouco loucos de vez em quando, e não fazer apenas o que nos é ordenado, mas seguir nossas intuições e anseios.
Está aí minha impressão sobre o filme. E eu recomendo que o assistam.
Renascença: A conquista da realidade / Perspectiva
maio 5, 2010
Na Itália do começo do século XV, dizer a um artista que sua arte é tão boa quanto a dos antigos era considerado um elogio, pois se referiam aos mestres clássicos da Grécia e de Roma. Isso por que os italianos consideravam o que chamamos de Idade Média, como Idade das Trevas, por ser esse o período em que os povos chamados bárbaros teriam desmantelado o império romano, que fora o centro da civilização, antes de perder seu poder e glória com as invasões.
Por isso eles davam enorme importância ao ver ressurgir uma arte que possuía a grandiosidade das artes do período clássico, pondo grandes esperanças nesses artistas que a retomavam, chamando esse movimento de Renascimento.
Florença era a cidade onde este sentimento era mais forte, pois ela foi berço de alguns dos artistas que viriam a se dedicar a estudos para representar cada vez mais fielmente a realidade, tendo como base o uso da razão e inspiração no classicismo.
Um item que marcou imensamente como inovação nesse período foi o uso da perspectiva. O precursor de estudos dessa técnica foi o arquiteto Brunelleschi, que retomou aspectos da arquitetura clássica, trabalhando a ordem e proporção na obra, que deixou um grande legado até a modernidade.
Sabemos que na antiguidade já se dominava o uso de elementos que dessem ilusão de profundidade nas pinturas, mas a partir daí é que começou a dedicação em entender matematicamente como essa ilusão funcionava e explicar o porquê das coisas diminuírem com o aumentar da distância.
Perspectiva na Pintura
Um dos primeiros, se não o primeiro pintor a usar a perspectiva em seus quadros foi Tommaso di ser Giovanni, que ficou conhecido e imortalizado por Masaccio, que significa “desajeitado” (ainda descubro o porquê deste apelido).

Santíssima Trinadade, de Masaccio
Masaccio foi um grande mestre da arte, e causou uma enorme revolução com suas telas, por serem bem diferentes do que se havia visto até então. No lugar de formas delicadas e graciosas, via-se formas sólidas e brutas, que apesar de simples, mostravam grandiosidade. A perspectiva dava a sensação de estar diante de um espaço real, e de proximidade com as imagens da tela.
Quanto mais reais e austeras as imagens produzidas, mais se aumentava a proximidade com a realidade, e isso foi objetivo de inúmeros estudos, como os de Leonardo da Vinci, que viriam posteriormente.
Legado
É importante ressaltar que foram todos estudos de suma importância, e que consistem praticamente nas técnicas que usamos até os dias de hoje.
M. C. Escher
maio 4, 2010

Difícil alguém nunca ter visto alguma de suas imagens pelo menos uma vez. Com uma obra interessantíssima, de desenhos geométricos com ilusão de ótica, um interessantíssimo uso da perspectiva de um jeito difícil de imaginar, sem perder sua altíssima qualidade técnica e estética.

Esse é um dos meu favoritos. Quando era menor, eu ficava me imaginava caminhando pelas escadas.
É incrível como a arte pode estar presente em inúmeras áreas, como por exemplo na moda. Na foto abaixo a arte de Escher nas estampas da coleção de McQueen.
Ainda que fazendo faculdade de moda, minha paixão maior ainda é a arte, por isso gosto desse tipo de exemplo, de como podemos juntar elementos diferentes, e dar um toque único ao que fazemos.
Um traço que se repete bastante no trabalho de Escher é o encaixe de figuras (um módulo) formando um padrão. Ele fez isso de diversas formas, usando o “pied-de-coq”, estampa tradicional, esta que foi usada na peça de McQueen.

É um processo que pode muito ser usado para formação de estampas. Na disciplina que tive em Artes Plásticas, Desenho geométrico, reproduzimos essa técnica usando o AutoCAD. É um processo bem complexo, deve-se pensar e estudar bem a forma para ela se encaixar em diferentes ângulos, mas traz um resultado bem interessate.
Sugestão de Filme – “Moça com Brinco de Pérola”
abril 30, 2010
Uma indicação de filme para ver no fim de semana quem estiver inspirado: “Moça com brinco de Pérola“ de Peter Webber, 2003.
Assisti esse filme já faz uns dois anos, mas ao me lembrar dele vem à memória a beleza e graciosidade das cenas, e a riqueza de informações.

"Moça com Brinco de Pérola" Vermeer, 1665
O filme é baseado na obra de Vermeer, tendo como tema central a execução da própria. O que me chamou a atenção no filme, são as técnicas que o pintor usa para produzir suas próprias tintas, a sua enorme preocupação com luz e sombra, a composição de cores que as forma, e , como sugere o filme, que ele usava lentes para transpor a imagem a ser pintada para a tela, como tudo parece tão surreal; é muito bonito de ver.
- No vídeo a seguir , vemos o trecho do filme em que o artista fala à jovem que o ajuda em seu atelier sobre as cores que compõe os efeitos de luz e sombra na pintura:
http://www.youtube.com/watch?v=PHwX0iVDCw4&feature=related
- Sobre o Artista
Vermeer nasceu na Holanda, pintou a obra em questão em 1665, teve influência de Rembrandt em sua obra, influência tal que tranparece pela pincelada mais marcada, um belotrabalho feito com nuances de luz em sua pinturas. Vermeer realizava muitos retratos, os quais eram encomendados, mas também pintava muitas cenas de interior.
Abaixo, obra de Rembrandt, onde podemos ver referência de contrastes e nuances de luz e sombra formados com pinceladas de cor.
- Resultado do Retrato
No final, ao retratar a jovem na tela em seu atelier, usando o brinco de pérola, é para mim uma das cenas mais bonitas do filme, há uma grande intensidade de sentimentos quando Vermeer pede à moça que molhe os lábios e olhe diretamente para ele. Mas arte é isso, ao meu ver, uma atividade muito íntima, aonde idéias e inspirações brotam, requerindo muita concentração, e o resultado é quase sempre surpreendente.
Fica claro na reação da retratada, quando ela diz, ao olhar para a tela pronta: “Você olhou dentro de mim”; como a pintura pode registrar a personalidade da pessoa e o momento em cores, brilhos, pinceladas. O poder de um brilho nos olhos.
- Veja esta parte do filme no vídeo abaixo:
“Ditadura do Corpo Perfeito”: Essa História vem de Longe.
abril 28, 2010
O Homem tem uma grande tendência de se distinguir dos demais quando se considera superior. Tempos vários exemplos disso na História da Humanidade, e é uma questão que já causou muitos impasses mas que permanece até hoje.
A partir do século XV, com o Renascimento, através de cálculos e estudos foi-se moldando o que seria a constituição ideal do corpo e aparência humanos, discriminando quem não possuisse essas características. Valorizava-se fortemente na mulher a postura, bem ereta, a silhueta esguia e vertical, pescoço longo, pele branca, maçãs do rosto rosadas.
Essa silhueta era conquistada com o uso do espartilho, que era usado em crianças também, algumas vezes, para acertar a postura desde cedo.
Quem fugia desses padrões era considerado inferior, no caso os plebeus, que eram descritos como de silueta arredondada e postura encurvada, devido à condição de trabalho em que vivam.
Esse tipo de convenção fazia (e faz) com que as mulheres se submetessem a todo o tipo de artifícios para estar dentro dos pardrõea: maquiagens pesadíssimas, espartilhos apertados que mal as deixava respirar entre outras coisas.
Porém, as distinções não paravam por aí; com a valorização da razão, proporções e rigor formal, até medidas de crânio eram fator de distinção, denominando os que tinham as formas mais “rudes” como Bárbaros e seres não dignos.

Essa história se repete até hoje, muitas vezes com o Europeu como modelo, e o que foge dele, sejam negros, índios, ou outras etnias minoritárias sendo consideradas inferiores. Além disso, presenciamos atualmente a “Ditatura do Corpo Perfeito”, em que com grande exposição na mídia de modelos magérrimas, atrizes, cujos corpos e rostos são, muitas ,modificados com a ajuda se softwares de tratamento de imagem fazendo-nos acreditar que existe um padrão de beleza que deve ser seguido, ou do contrários, fazem-nos nos sentir mal com nossa imagem no espelho.
A fim de tentar uma desmitificação, algumas revistas já lançaram versões sem retoques e sem maquiagem: http://juliapetit.com.br/moda/naturalmente/
e sem retoques apenas:
http://juliapetit.com.br/home/sem-retoques-3/
nem por isso deixando as fotografadas menos bonitas. Será que estamos no caminho para derrubar essa ditadura que já dura séculos? Se for, é um longo caminho…






















































