Considerando que o século XIX foi um marco para as mulheres, por ter ocorrido importantes mudanças no vestuário e comportamento destas no período. Uma mudança muito significativa foi a incorporação de ítens da vestimenta masculina em seu guarda-roupas, as quais pesquisando melhor suas origens, descobri que boa parte é influenciada pela Inglaterra, com sua moda masculina que é referência mundial até hoje.

          Na França as primeiras manifestações destas influências não foram bem vistas, denominando assim, que as mulheres que usavam trajes inspirados no terno masculino estavam vestidas a “l’anglaise”.

          Nas criações aseguir desdobrei um pouco o significado deste termo, chegando a alguns conceitos que se encontram no arquivo em PDF em anexo:

 LINK >>>>  Bonecas da Moda – Thaís Polakiewicz    

         

 

                    Sim, é isso mesmo. Parece que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas quem nunca comprou um shampoo, esmalte, ou muito dos itens disponíveis nesse ramo do mercado, influenciada diretamente por seus nomes (muito) sugestivos?!?

                    Pois é. Basta uma breve olhada nas prateleiras, e percebemos a grande variedade de produtos cujo nome apela diretamente para as nossas papilas gustativas.

Deu água na boca, não deu!?

 

 

                    Não pretendo aqui falar de fato sobre os itens em questão, sequer sobre sua eficiência, mas acontece que me peguei pensando no assunto hoje, ao pegar meu recém comprado esmalte, na cor… chocolate! Bateu aquele friozinho, o rosa já não estava dando uma sensação muito confortável, precisava de algo mais quente, e ao parar diante da prateleira para escolher a cor, fui seduzida pelo “tal”.

                    É incrível pensar o modo como a indústria nos seduz. Não mais importa somente do que se trata o produto, o que ele faz, mas há agora toda uma ideologia embutida no próprio. Aí então é que entra o poder de um nome que, bem escolhido, pode ter um alcance de público muito maior.

                    Na minha experiência pessoal, pelo menos, percebo que escolho as cores muito mais (mas não apenas, claro) pelo nome do que pela cor em si. Outro dia desses fui comprar um esmalte rosa e fiquei tão em dúvida entre duas cores, que comprei os dois. Ao chegar em casa percebi que tinha um terceiro muito parecido! Porém os nomes sugeriam coisas muito diferentes.

                    Assim como há uns dois anos, pintei o cabelo com a cor “Chocolate”. Detalhe: sou morena. É claro que a diferença foi mínima, e ainda por cima, depois que a cor saiu quis passar o “Chocolate Noite”. Já é demais, né!? Não passei até hoje, estou tentando me controlar.

 

                    

                    Com certeza isso não deve atingir a todas as mulheres da mesma forma, mas com a quantidade de pesquisas de mercado que são feitas no ramo, garanto que nós temos um perfil bem “chocólatra”, e que, comigo, está funcionando, ainda que eu tenha total noção do que acontece de fato.

Bom, terminei o post, e a unha ficou pronta:

 

Minhas unhas banhadas a chocolate. Satisfeita, será!?

 

                         Compareci nesta última quinta feira, dia 27, à abertura da exposição “Pretinho Básico”: resultado de um concurso feito pelo Senac que selecionou inerpretações de uma atualização do que é o “Pretinho Básico” de alunos de estilismo e modelagem do curso de Desing de Moda, e estas, confeccionadas estão expostas no Shopping Bourbon Pompéia.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
                      Foi muito boa a experiência de ter ido à exposição, estava muito organizada, os vestidos lindos, e a presença das pessoas estilosas do curso de moda é interessante de ser observada- adoro.

Vista superior da exposição

 
 

                      Gostei muito da proposta, a atualização do conceito do pretinho básico, que começou com Coco Chanel em 1920, e foi aderida por inúmeras figuras no mundo da moda, cinema, e pelas mulheres em geral. Na verdade os vestido lá expostos, alguns pelo menos, não eram nada básicos. Mas acho que é aí que está a parte mais interessante. O preto abre inúmeras possibilidades de expressão; é um básico que pode ser transformado, mas que sempre leva consigo uma carga de significados, que foram sendo incorporados com o passar dos anos.

          Acho que este é um conceito muito presente entre as mulheres da atualidade, por ser fácil mudar sua mensagem, com uma simples mudança no corte, tecido, ou a produção em si, mas trazendo a essÊncia principal, que é o moderno, a versatilidade com sofisticação.

 

                     Na exposição em questão foi usado um único tipo de tecido, os comprimentos eram praticamente os mesmos nos dez vestidos, o jeito, olhando rápido, era semelhante a todos, porém, com um olhar mais atento se notam diversas especificidades que cada vestido possui. Entre recortes, volumes, drapeados, pregas, aviamentos, e outros detalhes, cada um assume sua própria personalidade.

Vejam fotos de alguns dos vestidos expostos:

 

 

    

                 As fotos não estão muito boas, mas dá para ter uma idéia da diversidade que foi gerada dentro do mesmo tema.

                  Coloco agora um único porém em relação a exposição: para quem trabalha com moda, nenhum pequeno detalhe pasa desapercebido, treinamos nosso olhos para tornar nosso trabalho o mais impecável possível, nesse sentido, percebi alguns deslizes: zíper aberto (provavelmente o manequim não foi compatível com o vestido) e fios a serem arrematados. No geral, admiro muito o trabalho dos alunos, a execução estava muito boa, e acho que tudo fica de aprendizado para futuras experiências (dos criadores e dos visitantes).

 

 

 

 

 

 

 

Outras fotos:

"Brincadeirinha" feita por visitante. Um pouco inadequado, mas bem pertinente.

 

Laura e eu curtindo o coquetel e admirando a exposição.

            Impossível deixar de comentar a respeito do filme “Alice no País das Maravilhas”; fui assistir esse final de semana no IMAX, e achei lindo e muito envolvente. Tanto tentei me focar nos inúmeros detalhes do filme (fotografia, figurino, maquiagem, efeitos e legenda - por que não?!) que foi até difícil conseguir me prender a uns sem perder outros. É o tipo de filme que assistiria mais algumas vezes só para reparar em tudo.

            Achei muito rico em vários sentidos. O elenco, é claro, muito bom, Johnny Depp estava fabuloso em seu papel de chapeleiro, (para mim foi o personagem mais interessante do filme), e adorei a performance de Mia Wasikowska (Alice), linda, mas com um jeitinho de menina que que achei tudo a ver com a personagem.

 

            Pude notar no filme referências de diversas áreas, que na minha visão, de estudante, exemplificou muitas coisas vistas até mesmo em aula.

            Primeiramente, a respeito do figurino, traz um estilo da Inglaterra Vitoriana, com seus vestidos ajustados, a postura exigida das mulheres na época, como o uso do espartilho, a cobrança de se casar para ter uma vida digna, e toda a pressão exercida por uma sociedade conservadora.

            Alice, por ter uma mente mais aberta como a de seu pai, encontra em seu outro mundo uma saída, um escape para fugir dos padrões nos quais ela não se encaixava.

            Se eu for falar aqui, a respeito do figurino, de tudo o que me chamou a atenção, não acabaria nunca, então vou resumir no aspecto que achei mais importante: a atenção dada aos detalhes. Nota-se que cada peça que aparece no filme possui uma história, como o chapéu do chapeleiro maluco, que sobreviveu ao ataque da Rainha Vermelha, com suas marcas de queimado e objetos presos a ele. Assim como o vestido que Alice usa em parte do filme, o que é confeccionado para ela em alguns instantes pelo próprio chapeleiro; achei um momento de grande sensibilidade, porém sutil. Esses detalhes me agradaram muito.

         Reparei também, no momento do “noivado”, que há um artista representando a situação em uma tela, o que me remete aos mecenas que contratavam os então artistas, e não mais artesãos, para os retratarem em telas.

            Na questão histórica, me arrisco a relacionar a disputa entre as duas rainhas (Branca e Vermelha) com a Guerra das Rosas, ocorrida na Inglaterra, no séc. XV. Não tenho certeza se procede essa relação, mas acho que pode ter alguma referência, pois esta guerra se deu entre duas dinastias que lutavam pelo trono: a York (rosa branca) e Lancaster (rosa vermelha). Não sei ao certo quem venceu, considerando que foram cerca de trinta anos de batalhas esporádicas; mas é muita coincidência.

 

            Acho que no final, a mensagem que o filme deixa é: acreditar nas coisas que consideramos impossíveis, ser um pouco loucos de vez em quando, e não fazer apenas o que nos é ordenado, mas seguir nossas intuições e anseios.

Está aí minha impressão sobre o filme. E eu recomendo que o assistam.

         Na Itália do começo do século XV, dizer a um artista que sua arte é tão boa quanto a dos antigos era considerado um elogio, pois se referiam aos mestres clássicos da Grécia e de Roma. Isso por que os italianos consideravam o que chamamos de Idade Média, como Idade das Trevas, por ser esse o período em que os povos chamados bárbaros teriam desmantelado o império romano, que fora o centro da civilização, antes de perder seu poder e glória com as invasões.

          Por isso eles davam enorme importância ao ver ressurgir uma arte que possuía a grandiosidade das artes do período clássico, pondo grandes esperanças nesses artistas que a retomavam, chamando esse movimento de Renascimento.

         Florença era a cidade onde este sentimento era mais forte, pois ela foi berço de alguns dos artistas que viriam a se dedicar a estudos para representar cada vez mais fielmente a realidade, tendo como base o uso da razão e inspiração no classicismo.

Foto de Florença, o "berço" do Renascimento.

          Um item que marcou imensamente como inovação nesse período foi o uso da perspectiva. O precursor de estudos dessa técnica foi o arquiteto Brunelleschi, que retomou aspectos da arquitetura clássica, trabalhando a ordem e proporção na obra, que deixou um grande legado até a modernidade.

 

Sabemos que na antiguidade já se dominava o uso de elementos que dessem ilusão de profundidade nas pinturas, mas a partir daí é que começou a dedicação em entender matematicamente como essa ilusão funcionava e explicar o porquê das coisas diminuírem com o aumentar da distância.

 

Perspectiva na Pintura         

          Um dos primeiros, se não o primeiro pintor a usar a perspectiva em seus quadros foi Tommaso di ser Giovanni, que ficou conhecido e imortalizado por Masaccio, que significa “desajeitado” (ainda descubro o porquê deste apelido).

Santíssima Trinadade, de Masaccio

          Masaccio foi um grande mestre da arte, e causou uma enorme revolução com suas telas, por serem bem diferentes do que se havia visto até então. No lugar de formas delicadas e graciosas, via-se formas sólidas e brutas, que apesar de simples, mostravam grandiosidade. A perspectiva dava a sensação de estar diante de um espaço real, e de proximidade com as imagens da tela.

          Quanto mais reais e austeras as imagens produzidas, mais se aumentava a proximidade com a realidade, e isso foi objetivo de inúmeros estudos, como os de Leonardo da Vinci, que viriam posteriormente.

Estudo para Obra "Adoração aos Reis Magos"

Legado

           É importante ressaltar que foram todos estudos de suma importância, e que consistem praticamente nas técnicas que usamos até os dias de hoje.

          Uma indicação de filme para ver no fim de semana quem estiver inspirado: “Moça com brinco de Pérola”  de Peter Webber, 2003.

          Assisti esse filme já faz uns dois anos, mas ao me lembrar dele vem à memória a beleza e graciosidade das cenas, e a riqueza de informações.

"Moça com Brinco de Pérola" Vermeer, 1665

            O filme é baseado na obra de Vermeer, tendo como tema central a execução da própria. O que me chamou a atenção no filme, são as técnicas que o pintor usa para produzir suas próprias tintas, a sua enorme preocupação com luz e sombra, a composição de cores que as forma, e , como sugere o filme, que ele usava lentes para transpor a imagem a ser pintada para a tela, como tudo parece tão surreal; é muito bonito de ver.

 

 

  • No vídeo a seguir , vemos o trecho do filme em que o artista fala à jovem que o ajuda em seu atelier sobre as cores que compõe os efeitos de luz e sombra na pintura:         

http://www.youtube.com/watch?v=PHwX0iVDCw4&feature=related

  • Sobre o Artista 

          Vermeer nasceu na Holanda, pintou a obra em questão em 1665, teve influência de Rembrandt em sua obra, influência tal que tranparece pela pincelada mais marcada, um belotrabalho feito com nuances de luz em sua pinturas. Vermeer realizava muitos retratos, os quais eram encomendados, mas também pintava muitas cenas de interior.

          Abaixo, obra de Rembrandt, onde podemos ver referência de contrastes e nuances de luz e sombra formados com pinceladas de cor.

Rembrandt, 00003043-A

  • Resultado do Retrato

          No final, ao retratar a jovem na tela em seu atelier, usando o brinco de pérola, é para mim uma das cenas mais bonitas do filme, há uma grande intensidade de sentimentos quando Vermeer pede à moça que molhe os lábios e olhe diretamente para ele. Mas arte é isso, ao meu ver, uma atividade muito íntima, aonde idéias e inspirações brotam, requerindo muita concentração, e o resultado é quase sempre surpreendente.

          Fica claro na reação da retratada, quando ela diz, ao olhar para a tela pronta: “Você olhou dentro de mim”; como a pintura pode registrar a personalidade da pessoa e o momento em cores, brilhos, pinceladas. O poder de um brilho nos olhos.

  • Veja esta parte do filme no vídeo abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Z-MuoYMY8rA&feature=related

Sobre Beleza

abril 27, 2010

              O conceito de beleza pode gerar muitapolêmica, uma vez que este é alterado em diferentes épocas e culturas. Já foi objeto de muitos estudos, e um que acho muito interessando é o de Platão, em que beleza e qualidade são coisas que andam juntas.  Para o filósofo é bom o que funciona bem, o que soa bem e tem boa aparência. Aqui o prazer causado pela beleza estética atinge o intelecto e a sensibilidade do homem, porém não exclui a contenção, a ordem, ao contrário do prazer físico, que é tido como instável e desequilibrado.

             Na sociedade Grega, do séc. V a.C., esta idéia se aplicava não só nas artes, mas também no seu modo de vida, que com a dedicação ao esporte e cultura buscava-se essa perfeição tanto do corpo quanto da alma.

          A consequência dessa filosofia é o que vemos nas fa,osas estátuas gregas, a da imagem é a “Vênus de Milo” que mostra dua estabilidade, leveza e delicadeza das formas que era o ideal da época.

          Mais tarde na História da Arte vamos presenciar esses ideais influenciando a pintura, com o NeoClassicismo. Este movimento surge na segunda metade do séc XVIII justamente com a intenção de resgatar a pureza das formas , a profundidade das idéais e dos sentimentos,considerando a predra branca do mármore como ideal de superfície para representação do corpo humano (a mesma usada nas estátuas gregas) indo, assim, de encontro ao Rococó, com sua superficialidade.  Como exemplo usei aqui a pintura  A Odalisca, de Ingres

          Examinando a imagem, notamos a simplicidade no contorno das formas, a leveza e limpeza na representação do corpo humano, remetendo à cultura da Antiguidade Clássica Grega.